João D’Halberto Faria. Um nome com algo de nobre. Alto,
homem feito, fidalgo e militar. Triste, angustiado e desesperançado.
Sua santidade, o Papa enviou os soldados portugueses da
região de fronteira com a Espanha para combater os mouros. João sabia que era
loucura, mas era um oficial, e seu feudo foi convocado a lutar a boa luta.
Tinha sonhos, terras, posses e serviçais, mas apesar de
tudo, o mais importante era ela, de longos cabelos cor de fogo, ondulado como o
mar. Ao afundar a mão em seus cachos, João quase podia ouvir o troar das ondas,
mas não podia sentir cheiro marinho. Não, o cheiro dela era de jasmin, de brisa
de chuva e de lar. Não descreverei seu corpo, pois ela só deixa que João a veja,
apesar de que quando ela está nua João não vê nada: transporta-se para uma
dimensão outra que não a nossa.
E agora vai João, espada pendendo, estandarte ao vento, coração doendo e face dura. Olha para trás e
vê o brilho de sol que refulge nas lágrimas dela.
E se vai João, em nome do pai, em nome do filho, em nome do
Papa e não em seu próprio nome. Escudo forte, cavalo negro e cota de malha,
inútil contra a cimitarra moura, contra a fúria islâmica, com olhos de águia e
força de búfalo, com a benção de Alá e com forma de humano, não de monstro,
como haviam lhe dito. Humano, igualzinho a João.
João D’Halberto Faria.
Amém.
Nenhum comentário:
Postar um comentário