5.4.12

João D'Halberto Faria


 João D’Halberto Faria. Um nome com algo de nobre. Alto, homem feito, fidalgo e militar. Triste, angustiado e desesperançado.
Sua santidade, o Papa enviou os soldados portugueses da região de fronteira com a Espanha para combater os mouros. João sabia que era loucura, mas era um oficial, e seu feudo foi convocado a lutar a boa luta.
 Tinha sonhos, terras, posses e serviçais, mas apesar de tudo, o mais importante era ela, de longos cabelos cor de fogo, ondulado como o mar. Ao afundar a mão em seus cachos, João quase podia ouvir o troar das ondas, mas não podia sentir cheiro marinho. Não, o cheiro dela era de jasmin, de brisa de chuva e de lar. Não descreverei seu corpo, pois ela só deixa que João a veja, apesar de que quando ela está nua João não vê nada: transporta-se para uma dimensão outra que não a nossa.
 E agora vai João, espada pendendo, estandarte ao vento,  coração doendo e face dura. Olha para trás e vê o brilho de sol que refulge nas lágrimas dela.
 E se vai João, em nome do pai, em nome do filho, em nome do Papa e não em seu próprio nome. Escudo forte, cavalo negro e cota de malha, inútil contra a cimitarra moura, contra a fúria islâmica, com olhos de águia e força de búfalo, com a benção de Alá e com forma de humano, não de monstro, como haviam lhe dito. Humano, igualzinho a João.
 João D’Halberto Faria.
 Amém.

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